MATÉRIAS - ENTREVISTAS

Veja Rio

Matéria publicada na revista VEJA 
em 12 de junho de 2002

Editada por Sérgio Garcia. Colaboraram Debora Ghivelder e Isabel Butcher

Gustavo , Elias e Marcelo

 

O Globo On Line

Matéria publicada no O GLOBO On Line
em 12 de junho de 2002


Dinossauros do rock no Mistura Fina

Maria Eduarda Varela

Nos anos 70, eles eram "muito underground". Palavras do baterista Gustavo Schroeter, que junto com o companheiro Elias Mizrahi, agora ensaia a volta do grupo Veludo. Os dois shows - hoje e amanhã no Mistura Fina - comemora o lançamento do seu CD "A Re-Volta". Independente, o álbum foi gravado em 2000 e distribuído só pela internet.

- Sempre estivemos envolvidos com outros projetos e não nos dedicávamos à banda. Agora vamos investir. Esse show é como um teste. Vamos ver se a coisa vinga - explica Schroeter, ex-Cor do Som.

Da formação original de 74, a banda conta só com Mizrahi e Gustavo Schroeter, que têm um currículo de respeito: Elias foi o arranjador e produtor do disco "Bandido" de Ney Matogrosso, e Gustavo já tocou e gravou com a Raul Seixas, A Bolha, Jorge Benjor, entre outros. A nova formação conta ainda com dois ex-integrantes da Bolha: Lincoln Bittencourt, no baixo, e o convidado especial Marcelo Sussekind, na guitarra. Marcelo também produziu álbuns de artistas como Erasmo Carlos, Lulu Santos, Jota Quest e Capital Inicial.

O Veludo promete reviver no Mistura os tempos áureos, quando juntamente como Os Mutantes, Vímana, A Bolha, O Peso e o Terço, a banda marcou presença em espetáculos históricos do rock nacional. Os marcos desta época foram a Abertura da Temporada de Verão, no Teatro João Caetano, em 74; o primeiro festival Hollywood Rock, em 75, a abertura do show do lendário "Bill Harley e seus Cometas", além da participação do tecladista da banda inglesa YES, Patrick Moraz, em show no teatro Tereza Raquel. Mais de duas décadas depois, os dinossauros do rock mostram que estão em forma com um repertório para fazer o público vibrar até o último acorde.

VELUDO Mistura Fina: Av. Borges de Medeiros 3207, Lagoa - 2537.2844. Ter, às 21h30m e Qua, às 22h30m. R$ 15

 

JB On Line

Matéria publicada no 
JORNAL DO BRASIL
em 07 de junho de 2002

 

Senhor F - A Revista doRock

Matéria publicada no site
Senhor F - A Revista doRock

http://www.senhorf.com.br

A ‘Re-volta do Veludo’

* Nelio Rodrigues    

    Para Elias Mizrahi o Veludo nunca desapareceu. No máximo, passou prolongado período em hibernação. Responsável pela maior parte das composições do extinto grupo, que ora tenta ressurgir, o tecladista, cantor e guitarrista jamais abandonou o hábito de compor. Ao longo dos anos, vem acumulando farto material que sobeja em fitas que o músico mantém arquivadas em casa. "São mais de mil músicas", confirma Elias. A fim de dar forma final a parte pequena de sua criação e com a idéia do Veludo ainda latente, ele chamou o baterista Gustavo Schroeter, ex-Veludo, e o baixista Lincoln Bittencourt, ex-integrante d'A Bolha, para, juntos, iniciarem uma longa jornada de gravações.

    As sessões, num estúdio em Botafogo, prosseguiram por incontáveis meses, geralmente atravessando madrugadas, como conta Gustavo. Em algumas delas o trio contou com a adesão do guitarrista e, hoje, também produtor, Marcelo Sussekind. O resultado, suficiente para preencher mais de um CD, permaneceria engavetado não fosse o esforço e abnegação de Cláudio Britto, amigo de Elias e fã do Veludo. Logo que soube das tais gravações Cláudio decidiu produzir e assumir o lançamento do CD que, por obra do destino, vem a tornar-se o primeiro disco de estúdio do Veludo.

    Intitulado ‘A Re-Volta’, nome ambivalente, significando tanto uma possível retomada de atividade da banda quanto um desabafo pessoal de Elias, em consonância com as dificuldades que tem enfrentado para mostrar seu trabalho, o CD coleciona dez temas, sendo cinco instrumentais, selecionados por Gustavo, Lincoln, Marcelo e Elias, a partir do material gravado em Botafogo. Todos compostos e arranjados por Elias. Em ‘O Poeta’, no entanto, o tecladista teve parceiros e sua autoria é também creditada a Waldemar Motta e Leca.

    O disco é calcado no som dos teclados, que abundam em ‘A Re-Volta’, conferindo à obra uma aura de rock progressivo. Não obstante, o emprego de matizes sonoras diversas a partir de suas teclas (e registros) não o deixam soar anacrônico e, tampouco, excessivo. Os arranjos de bom gosto, por vezes delicados, escorados no baixo preciso de Lincoln e na rica batida de Gustavo ajudam a criar climas diversos que se alternam, tanto dentro de um mesmo tema quanto ao longo de suas faixas.

    ‘Coisa Linda’ é a porta de entrada do CD. Abre com um riff que lembra tema de abertura de programa de TV, mas a impressão logo se desfaz assim que ele evolui em linha melódica distinta, ditada pela voz de Elias, vigorosa e clara.

    "O poeta está sofrendo, por não ter com o que sonhar", diz a letra de ‘O Poeta’, o tema seguinte, que prossegue antevendo a possibilidade de apocalipse ao final do milênio (que já se completou). Se o poeta não tinha motivos para sonhar e conseqüentemente nutrir sua inspiração para elaborar suas poesias, os autores da música, ao contrário, inspirados, criaram canção condizente com a melancolia de seus versos.

    ‘Veludiando’ é o primeiro tema instrumental do CD, que evolui por mais de sete minutos e conta com participação especial de Marcelo Sussekind. O guitarrista empresta ao tema seu toque ágil que se impõe por alguns momentos e centraliza a atenção do ouvinte. Apesar do título, a música não se assemelha a composição de Paul de Castro, Elias e Nelsinho Laranjeiras, que abre o CD ‘Veludo Ao Vivo’, denominada ‘Veludeando’. O título recorrente (o significado é o mesmo) apenas revela a paixão de Elias pelo Veludo.

    As vozes de Elias, Lincoln e Gustavo brilham juntas em ‘A Música Que Vem Do Céu’, que aparece no CD cercada por outro tema instrumental, intitulado ‘Império Romano’. Aqui, é impossível não pensar no trio Emerson, Lake and Palmer da época do disco ‘Tarkus’. Já, na seguinte, ‘Cigania’, introduzida por violão que ampara toda a canção, o tom é diferente. A melodia passeia por território espanhol em sutil cruzamento com o ritmo árabe, assim como a história da região.

    Com o feliz título de ‘La Sonata Claríssima’, este tema instrumental conduz o ouvinte através de uma mini-suíte muito bem arranjada e executada. E, mais uma vez, conta com a participação de Marcelo Sussekind. Teclados, baixo e bateria pavimentam a canção antes que a guitarra de Marcelo se faça presente. Quando irrompe, eloqüente, progride beirando notas agudas até desaparecer com entrada límpida do órgão Hammond de Elias. O suporte de baixo e bateria é impecável, com Lincoln e Gustavo mantendo ritmo preciso enquanto Elias desenvolve ótimo trabalho no órgão. Nesse momento, as intervenções de Marcelo são apenas sutis. A composição ainda evolui antes de dar lugar a próxima.

    A profunda densidade melódica de ‘Come To Me’, tramada pelos teclados, envolve o ouvinte como uma espessa névoa, tal como a voz de Elias. Escrita em inglês, talvez esta seja a melhor faixa do CD.

    As duas últimas são temas instrumentais: ‘Teu Foco’, sem baixo e bateria, é a mais curta do disco (CD); ‘Portas do Céu’, novamente com baixo e bateria, tem no piano, tocado com agilidade e leveza, o seu fio condutor.

    Agora é necessário que se abram algumas portas para que o Veludo possa mostrar esse bonito trabalho ao vivo. E, enquanto o produtor Cláudio Britto não promove seu lançamento oficial, o CD, por enquanto, pode ser adquirido através do site < http://www.razaosocial.com.br/ >.

Leia mais
Veludo, a história completa

* Nélio Rodrigues é pesquisador e autor do livro ‘Os Rolling Stones no Brasil’.

 

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Jornal do Brasil - 18 de junho de 2.002 - Caderno B

caderno B - Jornal do Brasil